Três dias de pura magia

ROSFEST 2010 é sucesso de público e mostra que o rock progressivo está mais forte do que nunca.

Rites of Spring Festival - Gettysburg (PA) - 01, 02 e 03 de maio de 2010, por Cesar Lanzarini

 

Em sua sétima edição, o ROSFEST (Rites of Spring Festival) aconteceu entre os dias 01 e 03 de maio de 2010 em Gettysburg (PA) nos Estados Unidos. Esta cidade, local de fundamental importância para a Guerra Civil norte-americana (nela ocorreu a famosa Batalha de Gettysburg), sediou um dos festivais mais tradicionais do estilo, transformando o local em uma verdadeira celebração da paz e de boa música.

 

O Teatro

 

Em 2010, os organizadores montaram um evento basicamente com bandas européias (Finlândia, Noruega e Inglaterra - ver relação mais abaixo). Lembrando também de bandas americanas, o festival teve como sede o histórico Majestic Theater, que passou por uma reforma em 2007. Local tradicional da cidade, o teatro - anexo ao hotel Gettysburg - era visitado constantemente pelo ex-presidente Dwight Eisenhower (era proprietário de uma fazenda na cidade) que convidava chefes de estado para assistir peças de teatros e filmes. Este teatro também é muito conhecido por ter sediado a premiére de Satyricon, de Frederico Fellini em solo norte-americano.

 

Letreiro do teatro no primeiro dia: Mystery e Pendragon   Letreiro do teatro no segundo dia: Ajalon, Manning, Gazpacho e Renaissance   Letreiro do teatro no terceiro dia: Deexpus, Oblivion Sun, Von Hertzen Brothers e Magic Pie

 

Com capacidade para 1.200 pessoas, o local pode ser considerado perfeito para um evento deste porte. Com amplo estacionamento nos fundos, um pequeno bar no salão de entrada e limpeza e organização impecável, o Majestic deslumbra o público em todos os espetáculos ali organizados. Vale lembrar também a farta rede hoteleira e de restaurantes que a cidade apresenta.

 

As Bandas

 

Com a duração de três dias - e planejamento e execução que começam imediatamente após o encerramento do evento do ano anterior - o ROSFEST em 2010 apresentou as seguintes bandas:

 

Sexta-feira, dia 01 de maio - Mystery (Canadá) e Pendragon (Inglaterra)

Sábado, dia 02 de maio - Ajalon (EUA), Manning (Inglaterra), Gazpacho (Noruega) e Renaissance (Inglaterra)

Domingo, dia 03 de maio - Deexpus (Inglaterra), Oblivion Sun (EUA), Von Hertzen Brothers (Finlândia) e Magic Pie (Noruega)

 

Originalmente, a banda australiana Unitopia tocaria no domingo. Por problemas com vistos de trabalho, o grupo cancelou a apresentação fazendo com que a organização convidasse o grupo americano Oblivion Sun meses antes do evento. Um outro (triste) acontecimento quase cancelou a presença da banda Magic Pie: a fazenda do grupo foi completamente destruída por um incêndio no dia 12 de março de 2010. Nele, o grupo perdeu todos os equipamentos e boa parte da gravação do terceiro CD. No local funcionava também uma exposição sobre guitarras, um estúdio fotográfico, uma galeria de arte, um espaço para escritores e o estúdio da banda. Por fim, outro fato interessante está no grupo Oblivion Sun. Dois músicos deste grupo tocaram no famoso grupo norte-americano Happy The Man. O guitarrista ganhou uma longa batalha conta um raro tipo de câncer e o grande parte do tratamento foi pago por doações de fãs e amigos dos músicos.

 

Os Shows

 

Mystery

 

Responsável pela abertura do evento, o grupo canadense liderado pelo guitarrista Michel St-Pere (também responsável pela gravadora Unicorn Records) contou com a presença do vocalista David Benoit (famoso por substituir Jon Anderson no Yes recentemente em alguns shows). O grupo lançou seu terceiro CD "One Among the Living" no dia do show. Benoit, sempre muito simpático, realmente tem um voz muito semelhante a de Jon Anderson (fato comprovado ao assistir o show do grupo em 2009, em shows conjuntos com o Asia). o grupo estava bastante animado e executou com perfeição boa parte do novo trabalho, sem deixar de fora ótimas músicas de trabalho anteriores. Destaque para a suíte "Through Different Eyes". A banda ao vivo encanta pela qualidade de suas composições. Repertório: As I Am, Queen of Varja Space, Wolf, The Third Dream, Different Eyes, Travel to the Night, One Among the Living, Sailing on a Wing, Shadow of the Lake e Preachers Fall.

 

Pendragon

 

Velho conhecido do ROSFEST (o grupo já esteve presente em outras edições do evento), Nick Barret e cia. encerraram o primeiro dia do festival com muita competência e qualidade. Na formação, o novo baterista Scott Higham, dono de tremenda energia e empolgação. O músico trouxe ao grupo uma verdadeira carga de vitalidade. O grupo está mais entrosado do que nunca e ainda vai nos brindar com muitas obras de arte. Para o show do ROSFEST, o Pendragon conseguiu resumir os seus 30 anos de carreira em um ótimo repertório, com músicas de quase todos os trabalhos. Assistir ao Pendragon é sempre uma garantia de satisfação. Emocionante show de rock progressivo de um grupo que já pode ser considerado um "medalhão" do nível de bandas setentistas como Yes, Genesis e Pink Floyd. O repertório foi o seguinte: Indigo, Eraserhead, Paintbox, If I Were The Wind (inédita em shows até aqui), Comatose, Freakshow, Last Man on Earth, Breaking The Spell, Nostradamus e It is Only Me.

 

Ajalon

 

Grupo de gospel progressivo americano, o Ajalon abriu o segundo dia do festival às onze da manhã. Infelizmente não pude conferir o show, o que foi uma pena.

 

Manning

 

Um dos grandes talentos da nova geração de bandas inglesas, o grupo é na verdade o trabalho-solo de Guy Manning (voz, teclado, guitarra e violão). Belo trabalho sinfônico, com elementos de folk, o grupo mostrou um repertório variado dos seus 10 trabalhos (até aqui). As músicas: A Strange Place, The Dream, Antares, Ships, TIC, Silent Man, Holy Irelans, View from My Window, The House on the Hill, In My Life e Lost in Play. Destaque para todos os músicos - uma verdadeira orquestra em palco, com flauta, teclado, violão, baixo e bateria em perfeita harmonia com a voz de Manning. Inesquecível!

 

Gazpacho

 

Uma das atrações norueguesas do evento, o Gazpacho trouxe na bagagem a evolução do seu rock neo-progressivo para um estágio superior, onde o sinfônico tem dado as cartas. O grupo baseou seu show nos trabalhos Night e Tick-Tock, sem esquecer alguns clássicos do passado. Destaque para os teclados, guitarra e violino. Confesso que não me recordo de todo o repertório do grupo mas destaco Dream of Stone, Winter is Never, Tick Tock (sensacional suíte de mais de 20 minutos), River, Desert Flight, Bravo e Secret. A evolução do grupo é o fator mais importante que conclui após assistir ao show. Ótima surpresa.

 

Renaissance

 

Encerrando o segundo dia do evento, o grupo celebra neste ano de 2010 quarenta anos de existência. Para isso, Michael Dunford retornou ao grupo, que conta com a carismática Annie Haslam (que acompanhou o grupo Magenta em 2005 em uma música no evento) no vocal. O restante da banda não deixa a desejar ao grupo dos anos 1970: Tom Brislin (teclados, já tocou com Yes), Rave Tesar (teclados e piano) - que executou de forma brilhante todos os arranjos de piano das composições, Frank Pagano (bateria) e o excelente baixista David Keyes. Falar do Renaissance é chover no molhado e o grupo está mais animado do que nunca. O repertório foi conservador mas não menos emoionante: Prologue, Carpet of The Sun, Midas Man, Running Hard, Black Flame, Things I Don´t Understand, Ocean Gypsy, a nova Mystic and the Muse (que simplesmente parece uma música do grupo retirada dos anos 1970), Mother Russia e Ashes Are Burning. Primordial, inesquecível e essencial para quem gosta de música de qualidade. Devo conferir este show novamente em junho, quando o grupo abrirá para Steve Hackett em Boston (MA).

 

Deesxpus

 

Infelizmente outro grupo que não pude assistir.

 

Oblivion Sun

 

Substituto de última hora do Unitopia, o grupo americano que conta na formação com dois músicos do grupo Happy The Man (Stan Whitaker - voz e guitarra, e Frank Wyatt, teclados e saxofone) mostrou toda a competência do seu jazz-rock rock progressivo. Belos momentos de duelos entre guitarra, sax e baixo, com teclados e bateria dando a base do som, que recebia o tempero final com a voz de Whitaker (saindo de um vitória contra um raro tipo de câncer depois de 3 anos de tratamento). Um petardo musical que trouxe diversidade ao evento. Músicas: Fanfarre, Chapter 7.1, Noodlepoint, Shadowlites, No Surprises, Catwalk, March of the Mushroom Men, Deckard (sim, baseada em Blade Runner), Laker of Shadows, Dead Sea Squirrels, The Ride, Tales of Younhg Whales, e pelos menos duas que não lembro. No bis, a excelente Service with a Smile, do Happy The Man.

 

Von Hertzen Brothers

 

Para mim, esta foi a grande decepção do festival. O grupo finlandês tinha dois mini-moogs, mas o peso das músicas era tão grande que os instrumentos ficaram abafados. Alternativo demais, e com pouco progressivo, não consegui assistir mais do que 4 músicas. Um preço que se paga para poder adicionar estilos diferentes ao evento.

 

Magic Pie

 

Outro grupo que a organização gosta muito (acho que foi a segunda apresentação) que encerrou de forma brilhante o terceiro e última dia desta maratona progressiva. Bela combinação de rock progressivo sinfônico, neo-progressivo e hard-rock preogressivo de um grupo que batalhou incrivelmente para estar presente neste evento. O repertório foi tirado dos seus três trabalhos, sendo que destaco a suíte Circus of Life (tocada logo no início) com pelo menos 40 minutos e a bela Motions of Desire (encerrou o show com chave de ouro). O telão com a projeção das capa do CD a cada músicas compôs um belo quadro junto com a iluminação.

 

Fotos do Primeiro Dia: Mystery
(clique na imagem para ampliar)

 

Mystery  David Benoit  Mystery  Michel St-Pere 

 

Fotos do Primeiro Dia: Pendragon
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Pendragon  Nick Barret and Clive Nolan    Scott Higham  Peter Gee  Barret e Nolan

 

Fotos do Segundo Dia: Manning
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Paul Manning e banda. Ao lado direito, Chris Catling (guitarra)  Kris Hudson-Lee (baixo) e Dave Albone (bateria)  Steve Dundon (flauta)  Kevin Currie (guitarra e vocal)  Guy Manning  Guy Manning

 

Fotos do Segundo Dia: Gazpacho s
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Banda  Mikael Krømer - violino e bandolim  Robert R Johansen - bateria ( e Krømer)  Robert R Johansen - bateria  Jan-Henrik Ohm (voz) 

 

Fotos do Segundo Dia: Renaissance
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Annie Haslam e Michael Dunford  Annie Haslam  Banda  Banda  David J. Keyes (baixo e voz) e Tom Brislin (teclados)  Rave Tesar  (piano e teclado), Frank Pagano (bateria) e Annie Haslam (voz)

 

Fotos do Terceiro Dia: Oblivion Sun 
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Oblivion Sun  Dave Hughes (baixo)  Stan Whitaker (guitarra)  Bill Plummer (moog, voz e teclados)  Bill Plummer  Bill Plummer

Frank Wyatt (saxofone e teclados)  Stan Whitaker (voz)  Encerramento

 

Fotos do Terceiro Dia: Von Hertzen Brothers 
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  Jonne Von Hertzen (baixo)    Mikko Kaakkuriniemi (bateria)  banda, com Mikko Von Hertzen e Kie Von Hertzen   Jonne Von Hertzen  Juha Kuoppala 

 

Fotos do Terceiro Dia: Magic Pie 
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Eirik Hanssen  Banda  Lars Petter Holstad  Kim Stenberg   Gilbert Marshall  Kim Stenberg  Eirik Hanssen

Eirikur Hauksson (direita)   

 

Texto: e fotos: Cesar Lanzarini

 

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