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So competência nao é o suficiente! É preciso gostar do
que se faz!
Genesis
mostra que ainda tem muito a ensinar ao rock atual.
Genesis - 11 de setembro de 2007 - Boston, MA (EUA)
Numa
noite nublada do dia 11 de setembro de 2007 (tudo na mais calma ordem), o
grupo britânico de rock Genesis - hoje composto pelo trio Phil Collins (voz
e bateria), Mike Rutheford (guitarra e baixo) e Tony Banks (teclados), com
apoio de Chester Thompson (bateria) e Daryl Strumer (baixo e guitarra) -
mostrou que a frase acima é mais do que verdadeira, e o que é melhor: o rock
ainda tem muito a nos oferecer.
Mesclando
sucessos das décadas de 1970 (Ripples, quem diria!), 1980 (Duke's Travel,
Home by the Sea, Mamma) e 1990 (No Son of Mine, Hold On My Heart), o grupo
passou por Boston (MA) com o seu show Turn It On Again. O repertório,
diferente dos shows realizados nos anos 1990 que promoveu o CD I Can't Dance
(o meu na época foi um vinil duplo) e gerou um DVD, priorizou basicamente os
sucessos dos anos 1970 e 1980, com musicas gravadas entre 1976 e 1985. Claro
que não faltaram alguns sucessos (veja setlist abaixo) da formação
completa do grupo (com Peter Gabriel na voz e flauta e Steve Hackett tocando
violão e guitarra) e com isso o grupo agradou a todos os fãs das respectivas
fases: progressiva e pop, de alta qualidade diga-se de passagem.
Como
se nao bastasse a qualidade musical, o grupo trouxe para este show um
equipamento de primeira linha. Cada musica apresentava uma ilustração
mostrada em uma enorme tela no fundo do palco e mais duas de cada lado,
sempre acompanhada por canhões de luz, laser e outros efeitos. A abertura do
show mostrou a formação de uma mapa-mundi indicando no mesmo a localização
da cidade de Boston (MA) nos EUA, repetindo assim o que já vinha sendo feito
em outras cidades. O som era estéeo e diversas vezes tive a sensação de ser
envolvido pelo mesmo! Não faltaram nem fotos tiradas por Collins durante o
show, bem como efeitos visuais de ponta. Aguardem o DVD, que será lançado
provavelmente em 2008. O grupo gravou todos os shows e os lançará em CD, que
poderão ser comprados separadamente ou em uma caixa (contendo todos eles).
Para os fãs brasileiros, estes CDs só poderão ser importados.
Musicalmente
é preciso ser bem sincero: Collins nao está com a mesma voz. Desta forma,
procurou cantar em um tom mais baixo . Em compensação continua a tocar muito
bem bateria. Não faltou também o velho pandeiro! Banks é a "pedra de gelo"
de sempre, mas com timbres de teclado que só ele sabe programar e Rutherford
era o que mais estava a vontade, mostrando estar muito feliz no palco. Em
Los Endos, os pedais de baixo que tocava fizeram o ginásio tremer! Não
faltou, é claro, a sua costumeira guitarra/baixo de dois braços. Collins e
Thompson pareciam ser o espelho um do outro. Stuemer, também muito animado,
foi um show a parte, mostrando extrema competência em todas as músicas,
alternando baixo e guitarra.
Um
fato interessante que merece ser destacado está relacionado ao público.
Poucos entre 18 e 25 anos. A grande maioria era composta por pessoas entre
30 e 60 anos, que com suas cabeças brancas coloriam as cadeiras!
Sinceramente nao sei se isso é um bom sinal. Queria muito ver o Genesis
conquistando fãs novos (não que eles não estivessem presentes, mas poderia
ser mais). E não é por ser admirador do gênero, mas as músicas que o público
mais vibrava era justamente as progressivas. Para mim, isto é um aval para
uma volta com a formação tradicional. Esta ainda é a esperança derradeira
dos fãs da fase progressiva da banda, que por enquanto se contentam com os
shows de bandas cover (The Musical Box, em 2006 por exemplo). Curiosidade: a
volta era quase certa, mas Hackett jogou um balde de agua fria nesta
possibilidade.
Enfim, foi
um evento memorável que estará para sempre gravado na mente das quase 40 mil
pessoas presentes ao TD Banknorth Garden naquele 11 de setembro de 2007.
Neste dia, o Genesis - por meio dos seus três restantes componentes e dois
músicos de apoio - mostrou a todos que ainda pode fazer muito pelo rock
atual, seja tocando seu repertório antigo bem como o mais recente, compostos
por material mais pop. Posso ser sincero? Entre o que temos acompanhado
atualmente, salvo raras excessões, eu prefiro muito vezes ouvir The
Invisible Touch, Duke etc. E fico irritado - como todo fã da fase
progressiva do Genesis - quando alguém fala que gosta de Tonight, Tonight,
Tonight ou Into Deep e diz que estas musicas são do Phil Collins...
E está mais
do que confirmado: Calling All Stations (CD do Genesis sem Collins nos
vocais e na bateria), apesar de ser um bom disco, foi um contrato que
precisava ser cumprido. Bato palmas e gosto muito da participação de Nick D'
Virgilio (bateria) e Ray Wilson (voz), bons músicos que tem boa carreira em
bandas de rock progressivo, mas este CD foi solenemente ignorado pelo grupo
em seus shows. E mesmo com uma música deste CD presente na coletânea Turn It
On Again (a música chama-se Congo), não houve nenhuma menção a ele, nem uma
imagem ou foto pelo menos...
Músicas tocadas:
"Duke's Intro"
"Turn It On Again"
"No Son Of Mine"
"Land Of Confusion"
"In The Cage" / "The Cinema
Show" / "Duke's Travels" / "Afterglow"
"Hold On My Heart"
"Home By The Sea" / "Second
Home By The Sea"
"Follow You, Follow Me"
"Firth Of Fifth" / "I Know
What I Like (In Your Wardrobe)"
"Mama"
"Ripples"
"Throwing It All Away"
"Domino"
"Drum Duet"
"Los Endos"
"Tonight, Tonight, Tonight"
"Invisible Touch"
"I Can't Dance"
"The Carpet Crawlers"
Texto: e fotos: Cesar Lanzarini
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