Semente - Sergio Benchimol

O Semente é uma banda da "época", como afirmam alguns admiradores de Rock Progressivo. E foi com um de seus membros (Sérgio, guitarrista e flautista) que conseguimos descobrir algumas preciosidades, que divulgamos com exclusividade nesta entrevista:


RPB - A banda ainda esta em atividade?

SB - Sim, apesar de Pedro e Marcia (casados) morarem em Brasília, eles sempre vêm ao Rio, quando nos reunimos em um estúdio em minha casa.

RPB - O material foi gravado nesta epoca ou apenas ano em 97/98, como diz o encarte?

SB - O percurso de gravação do disco foi muito curtido e bastante prolongado, as músicas foram compostas entre 76 e 79,  ano em que demos uma parada devido a mudanças de endereço (Pedro mora em Brasília), mas continuamos a desenvolver nossas idéias em cada encontro anual. As gravações começaram em dezembro de 1996, em minha casa, terminando em dezembro de 1998 e ficamos surpresos com o resultado final. Muitos climas sonoros surgiram durante as gravações sobre as bases antigas.  Abrimos o disco com a instrumental "Semente" , que inicia num Big-Bang, contrastando com os harmônicos rítmicos de guitarra, permeados por uma guitarra cósmica, enquanto baixo, flauta e  teclado formam um caldo progressivo que vai até o final. Trata-se de uma versão musical-instrumental sobre a mitologia da criação do mundo.

RPB - Passos de Dinossauro (uma parte da musica Semente) foi criada com alguma referência ao sentido pejorativo dado as bandas antigas?

SB - A passagem "Passos de Dinossauro" é realmente uma alusão ao movimento progressivo (segue uma carta minha ao JB*). Vale a pena conferir. Seguimos com "Insanidade" uma poesia existencial do Alex, inspiradora e visionária, que ao vivo, rende os maiores improvisos pela sua diversidade rítmica e harmônica. "Ninfa Azul" é uma ode ao amor romântico, construída sobre uma base Rock-Blues-Eletrônica, um barato. "Novas Forças" fala sobre o impulso criativo presente em todos nós, eternizada numa sequência de solo de baixo, guitarra e sax, muito legal. Terminamos com "Mundo Guerreiro", outra poesia de Alex sobre a busca da liberdade do ser humano, rompendo cordas, precipitando-se sobre o mar bravio (citação).

*Nota: A Rock Progressivo Brasil não tinha conhecimento desta carta ao enviar as perguntas da entrevista. Foi realmente puro "feeling"...

RPB - A banda é formado por irmãos?

SB - O grupo existe desde 1976, quando, através de meu amigo de faculdade, o baterista Mário, fui apresentado aos irmãos Kosinski, Pedro o baixista e tecladista, e Alex, o guitarrista. A sensação ao tocarmos era (e ainda é) de que um acrescenta a idéia musical do outro, surpreendendo-nos constantemente, criando uma atmosfera eletro-magnética que apenas quem curte som sabe ao que me refiro. Para a gravação do CD, contamos com a participação da Márcia, esposa do Pedro.

RPB -  Quais sao as reais atividades dos integrantes da banda?

SB - Sou médico oftalmologista, Mário é médico cardiologista,  Pedro é veterinário, Alex é Físico e bancário (Banco do Brasil)

RPB - O que esperam do Progressivo no novo milênio?

SB - Eu espero que o movimento de música progressiva siga ampliando seus horizontes musicais incorporando, digerindo e transformando a sonoridade atual, traduzindo numa linguagem que prevaleça o bom gosto e a espontaneidade, conectando-se com um maior número de pessoas.

RPB - Como a Internet esta ajudando na divulgação do trabalho? Vocês ja tem um web site?

SB - A Internet é essencial para divulgação, intercomunicação, troca de idéias, atualização, comercialização, distribuição, ou   seja, a INTERNET É ESSENCIAL. Transformar a Internet em Evernet é conexão total sem fronteiras. Ainda não temos Web Site, temos uma amostra no endereço www.rockprogressivo.com.br/renaissance e meu email é sbenchimol@ax.apc.org.

RPB - A capa feita por Bernard (Tempus Fugit - Tales From a Forgotten World, Solis, Projeto Caleidoscópio) é realmente muito boa. Como foi o processo criativo da mesma? De quem foi a idéia?

Tudo começou com um desenho feito por mim de um planeta terra pré-histórico, sendo bombardeado por cometas humanos, em forma de sptzs, que apresentamos ao Bernard. O Bernard, ao ouvir o disco, especialmente a faixa   "Semente", desenvolveu uma idéia própria, a partir da inspiração da música e da história da banda, tendo criado uma capa moderna, inspiradora, que retrata nossa intenção. Uma obra prima.

RPB - Saudações e aguardamos shows!

Abraços.


Rio de Janeiro, 21 de setembro de 1999

Para: Carta aos Leitores e Críticos Musicais do JB

Venho, por meio desta, colocar minha indignação quanto ao tratamento pejorativo dado aos grupos de rock progressivo que têm vindo ao Brasil, tratados ridicularmente como "dinossauros", ou seja, animais de uma era extinta. Para quem não sabe, o rock progressivo marcou no final dos anos 60, e engloba uma grande variedade de estilos que vão desde o folk-rock, do jehtro-tull, rock cênico do genesis, música eletrônica, música erudita, e outros. Trata-se de um movimento musical não comercial, que usa a música como forma de expressão formal, retratando parte de uma era.

O momento RP está bastante ativo no Brasil, estando no 4º festival de Rock Progressivo com bandas da Suécia, Argentina, Rio e SP, com lojas especializadas, cultuado há mais de 20 anos por uma galera que gosta de som e que muito aprendeu de um programa da JB, chamado "60 minutos de música contemporânea". Este ano já foram lançados vários CDs de bandas progressivas cariocas (Tempus Fugit, Anima, Lummen e Semente, isso só para citar algumas).

Acredito que a função de um jornal é informar e despertar a curiosisdade das pessoas e deixar que elas julguem.

Para os curiosos, sugiro ouvir Jehtro-Tull "Thick as a Brick", Genesis "Foxtrot", Gentle Giant "Primeiro", PFM "Storia de 1 minuto".

Sergio Benchimol