GALADRIEL (fevereiro 98)

Date sent: Thu, 12 Feb 1998 22:14:47 +0100
From: Jesus Filardi <filardi@arrakis.es>
Organization: Galadriel
To: lanza@rockprogressivo.com.br
Subject: Re: The Interview!!

RPB - Abstração, Direção, Reflexão, Opinião, Reação... fale-nos sobre o novo disco e da sua concepção conceitual.

JF - Os termos que você mencionou são ingredientes básicos do processo criativo. A quarta faixa Mindscapers refere-se àquele profundo mundo obscuro dentro de nossa mente que nós pouco conhecemos e como ele afeta a nossa percepção externa. Um microcosmo intrínseco sem início e/ou fim. As músicas são como pequenos flashes que constroem o núcleo do nosso cérebro. Memórias, coisas que gostáríamos que acontecessem, medos, frustrações....

RPB - As letras estão em inglês e espanhol, mas elas são um pouco diferentes, não é? Por quê?

JF - As letras foram compostas em inglês, dependendo da melodia da minha voz (pelo menos para Mindscapers e Chasing The Dragonfly, assim o foram). Eu as traduzi para o espanhol para que as pessoas possam entender quando nós tocarmos aqui na Espanha. É um trabalho dífícil, mas eu acredito que elas (pessoas) gostem disso. Não gosto de forçar as pessoas a aprender inglês. A melodia é a mesma e tenho que adaptá-la à versão espanhola. Uma tradução literal é totalmente impossível então às vezes tenho que encontrar outras semelhanças com o espanhol. É sempre a mesma música, mas sempre que se faz necessário uma rima ela pode tomar outros caminhos a fim de preservar um andamento lógico.  Eu sempre disse que qualquer pessoa sabendo ambos os idiomas tem duas interessantes versões pelo preço de uma!

RPB - Como convidados especiais, temos dois pilotos... onde aparece o trabalho destas pessoas?

JF - Meu irmão Pablo Filardi e Manolo Blanco são pilotos na vida real. Precisava de um diálogo técnico (em inglês obviamente) para duas partes da música Mindscapers para incrementar a dimensão da ficção científica. Pablo veio do Canadá para nos visitar um anos e meio antes das gravações, e contactei Manolo Blanco no meu trabalho (trabalho como comissário de bordo na mesma companhia que o Manolo pilota) e os juntei em um pequeno aeroporto para o diálogo. Cada um entrou em um avião e nós gravamos o diálogo que veio através do rádio com interferência e tudo. Um dia inteiro foi necessário apenas para este efeito, mas acho que valeu a pena.

RPB - Quando começam os shows?

JF - Estamos aguardando que tipo de reação terá o público da comunidade progressiva com relação ao disco. Estamos aproveitando para descansar um pouco após trabalhar vários anos sem parar. Entretanto, nós tivemos diversas mudanças na formação da banda e estamos incorporando novos músicos, mostrando as músicas para eles e tudo mais. estamos esperançsos em mostrar o nosso novo trabalho em junho, pela Espanha,   e gradualmente nos apresentar em outros países como a França provavelmente.

RPB - Fal-nos um pouco mais sobre os outros trabalhos do Galadriel... Por que a banda tem este nome?

JF - Já gravamos dois discos. Em '88 Muttered Promises From An Ageless Pond, distribuído pela Musea. Foi o nosso início. Várias influências de bandas que com as quais nos identificávamos, para alguns um clássico, para mim o primeiro passo. Musea incluiu duas faixas extras: Summi" de uma compilação de 87 chamada Exposure e Nunca de Noche, uma pré-demo em espanhol do ano de '86. Eu ainda acho que existem algumas boas idéias mas nós não tínhamos uma personalidade definida ainda. Quatro anos depois, ('92) lançamos Chasing The Dragonfly também pela Musea. Acho que arriscamos bem mais neste disco. Ganhamos um pouco mais de experiência e maturidade em estúdio e adicionados percurssão e violões espanhóis que é algio que não vejo com muita freqüência. Começamos a explorar o campo do MIDI e seqüenciamento via computador, que muito nos fascinou. Muitas pessoas aprovaram a direção que tomamos, pessoalmente falando. Mas para os que sempre querem os mesmos clichês progressivos, fomos um pouco além dos seus "horizontes". Para o nome da banda, Eu devo dizer que sempre fui um grande leitor fantasioso e pensei que este nome do livro de Tolkien   "O Senhor dos Anéis" era muito bonito...encaixou-se perfeitamente.

RPB - Em outras formações, podemos ver músicos brasileiros! Como isto aconteceu?

JF - Em '87 nosso primeiro baterista nos deixou para prestar serviço militar, então precisamos de um novo baterista enquanto o outro estaria ausente. Através de um anúncio chegamos ao Alcides Trindade que havia acabado de chegar do Brasil. Nós nos surpreendemos com este músico. Não apenas por ele ser um extraordinário baterista, ele também trouxe diversas pequenas perças percurssivas que foram muito eficientes para partes muito delicadas. Em 88 nos encontramos com outro brasileiro chamado Marco Do Santos. Marco foi o nosso baixista no período 88-91. Você pode concluir que o Galadriel é uma banda bem internacional ;-)

RPB - Em seu país, existem muitas boas bandas de rock progressivo... Como está o progressivo nos dias de hoje na Espanha?

JF - Se você comparar o panorama atual com o da década de 70 irá achá-lo um pouco "desgastado". Não há naverdade muita coisa sendo feita. Eu quero dizer que existem diversas bandas tentando gravar seu primeiro CD e há outras bandas que nem sequer gravaram um segundo disco com o Dracma, mas eles acabaram com a banda a pouco tempo. É muito difícil manter uma coisa como essa. Nós estamos muito isolados, não há muito contato entre nós...

RPB - Notícias recentes mostraram uma reação muito grande do povo espanhol em relação ao ETA... Qual a sua opinião sobres isto?

JF - Está crescendo fortemente. Estou surpreso com o país está reagindo em relação ao terrorismo. As pessoas estão cansadas desta violência desnecessária. Tem que haver um outro modo. A política é algo muito complicado. Fico até meio atordoado tentando entender a coisa toda. Todo mundo querendo apenas pegar a sua parte no "bolo". Eles não se perceberam que estão matando pessoas inocentes. Às vezes me assusto pensanso que que esta situação irá explodir um dia e voltaremos aos "anos escuros" novamente...

RPB - Uma palavra aos fãs brasileiros...

JF - Espero estar no Brasil em breve e encontrar todos os nossos fãs que tem nos escrevido, nos mandando pensamentos positivos para nós. Leonardo Nahoum está definitivamente tentando tornar isto possível. Ele estará prensando o nosso novo disco Mindscapers e até pensa em viabilizar alguns shows em seu país. Vamos cruzar nossos dedos amigos...

RPB - Até logo e continue progredindo!

JF - Obrigado Cesar pelo seu apoio e sinceridade.

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