Entrevista – Eloy Fritsch

 

Lançamento do Box Set de 25 anos do Apocalypse

Por Cesar Lanzarini

27/12/2011


1. Logo no segundo parágrafo do livro, vocês reforçam o fator “mudança”, mencionando até mesmo “fãs radicais”. Eu, no início, me coloquei nesta posição e critiquei a mudança. Por favor, falem mais sobre esta mudança radical no estilo e quais foram as consequências.

 

A mudança se deu com a entrada de novos integrantes no Apocalypse que trouxeram suas influências. Uma característica do Apocalypse é que estamos sempre inovando. Nossos discos sempre trazem novidades tanto no som quanto nas produções. Isso torna o trabalho mais dinâmico, criativo e flexível. Cada formação muda algumas coisas no som da banda. As diversas formações em trio, quarteto e quinteto possuem suas  próprias características. A mudança de vocalista e a passagem para a língua inglesa é o que mais marcou essa nova fase do Apocalypse. Mas sem dúvida, a inclusão da  flauta e o violino em algumas músicas também contribuiu para a mudança. Vemos o Apocalypse em constante evolução a cada novo CD.  O fã de progressivo sabe que a música que escuta  foge ao padrão convencional das FMs comerciais por que este estilo de “rock” progride e avança no desenvolvimento da composição apresentando mais conteúdo e elementos de interesse para o ouvinte. O rock progressivo do grupo Apocalypse costuma possibilitar um campo fértil para a criatividade musical através da  fusão de vários estilos. A composição costuma fugir ao trivial, principalmente se comparada ao pop rock, necessitando ser interpretada por músicos de qualidade  comprometidos com o projeto. Percebemos ao longo desses anos que nossos fãs têm a necessidade de ouvir música com conteúdo. Ele sabe diferenciar o rock progressivo de uma canção feita para tornar-se um hit no padrão comercial estipulado por produtores e empresários acostumados a encher os bolsos com o dinheiro da falta de instrução da população que não recebeu uma educação musical na escola. Talvez por isso que os fãs não sejam tão numerosos como em outros estilos. Mas também porque não há interesse das grandes corporações que as pessoas busquem ouvir algo mais inteligente como música de concerto, contemporânea, jazz, música instrumental e progressivo.

 

 

2. Este início como um trio parece ter sido tortuoso... porque foi desta forma? “Nossa história e as dificuldades de um povo pobre porém feliz.”

 

Na verdade foi antes do trio que tínhamos dificuldades financeiras e outros problemas que aos poucos foram administrados e resolvidos. Nos anos 1980 éramos muito jovens e estávamos aprendendo muita coisa. Acredito que para uma banda saída do interior do Estado do Rio Grande do Sul que, por sua vez, está na ponta do Brasil e distante das capitais, acho que absorvemos bem as influências e fomos evoluindo musicalmente com o passar dos anos. No início não tínhamos recursos para gravar e realizar apresentações. A  primeira fase do Apocalypse foi bastante centrada na Serra Gaúcha e no aprendizado musical. Conforme o grupo foi se mobilizando para novos projetos também foi conquistando espaço e adquirindo o respeito da comunidade ao vencer festivais de música. Quando conseguimos recursos para gravar nosso primeiro  LP já tínhamos 8 anos de banda com diferentes formações e por isso já havia experiência musical e um pensamento estilístico para a época. Portanto, a formação em trio foi a que abriu as portas e projetou o Apocalypse regionalmente. Foi na formação em trio que vencemos  festivais nos anos 1980 e gravamos o primeiro LP.

 

primeiro LP

Primeiro LP do APOCALYPSE lançado em 1991

 

3. Vocês tocaram em muitos festivais estudantis. Interessante que outras bandas de rock progressivo passaram pelo mesmo caminho (Genesis, Rush só para citar dois exemplos). Como vocês vêem esta ligação do rock progressivo com o estudante?

Acho que é um tempo de exploração e descobrimento das possibilidades. Quando você é estudante está pensando o que vai ser na vida e qual o caminho a seguir.

apocalypse

4. Como foi começar no mundo da música fazendo rock progressivo em plenos anos 1980?

Foi legal porque o progressivo é o som que a gente gosta. Ouvíamos Yes, Genesis, Rush e acabamos sendo muito influenciados por esses grupos. Nosso som era diferente de tudo que se fazia na região da Serra do Rio Grande do Sul naquela época. Nós  tínhamos muitos LPs e nos reuníamos para ouvir lançamentos e clássicos.  No começo os shows eram em clubes e casas noturnas. Depois começamos a tocar em bares e teatros de Caxias.

 

 

5. Vocês planejam lançar o material antigo, por exemplo a demo dividida com o Astaroth?

No CD 2012 resgatamos algumas músicas antigas como I Cry in the Infinity (1987) , Set me Free (1992) e Find me Now (1992). Estas eram músicas feitas em formações anteriores mas que não haviam sido gravadas e lançadas oficialmente. O som do início do Apocalypse era muito mal gravado e mal produzido. Então não temos vontade de lançar nada daquela época anterior a 1989.

6. Nestas tours iniciais (1987 e 1988), vocês cruzaram com bandas outrora famosas como Nenhum de Nós, Ira, entre outros. Afinal, esta turma daquela época curte rock progressivo?

Não, acho que nenhum deles.

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7. Como foi esta fase de ter na banda dois bateristas?

Foi uma apresentação que fizemos em Caxias do Sul nos anos 1980 inspirada no Genesis. Convidamos o baterista Renato Muller para tocar junto com o Chiquinho Fasoli. Foi Concerto de Rock progressivo que lembramos até hoje.

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8. Como foi vencer o “Circuito do Rock” em 1989? Havia outra banda de rock progressivo concorrendo?

Vencemos um festival de rock sem tocar guitarra!  As músicas eram para teclado, baixo, voz e bateria. Recebemos o resultado pela televisão em casa, em família e foi muito emocionante.  O Apocalypse era o único grupo de Progrock do festival na região da Serra Gaúcha.

 

Apocalypse em 1989

Apocalypse - foto promocional do alto da torre do Pólo Petroquímico de Triunfo -
formação que venceu o Circuito de Rock região da Serra e o Festpop em 1989

9. Ao lançar o LP (em 1990) vocês mencionam o fato de Caxias do Sul ser “uma cidade industrial sem olhos para a arte”. Há algum rancor nesta afirmação? Como é a relação da banda com Caxias do Sul?

O Apocalypse não foi valorizado na sua cidade e precisou buscar alternativas para  tocar o projeto adiante. A maioria da população não curte progressivo e, de um modo geral,  não se importa muito com a nossa música. Fazemos esse tipo de música porque gostamos muito, senão já teríamos desistido. O apoio só veio depois que fizemos 25 anos de banda. E veio muito tarde, tão tarde que importantes integrantes que eram parceiros de banda desde o início desistiram de tocar em função das dificuldades em produzir shows e novos lançamentos.

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10. Como foi lançar um CD por uma gravadora estrangeira, fato até então inédito para uma banda de rock progressivo brasileira? O que isso trouxe de bom e de ruim? Fale mais sobre o CD Perto do Amanhecer…

      Foi emocionante! A Musea é uma gravadora séria e comprometida com o rock progressivo. Isso nos deixou muito felizes já que eles apóiam artistas desse estilo, coisa que aqui no Brasil não existia até a criação da Rock Symphony. Por ter lançado os CDs na Europa, ficamos mais conhecidos na cena progressiva internacional e menos na nacional. Só depois, com os lançamentos nacionais feitos pela gravadora Atração e Rock Symphony é que começamos a aparecer mais no Brasil.  Através da MUSEA recebemos muitas resenhas positivas de nossos álbuns no exterior que guardamos com muito carinho. Elas nos fazem refletir sobre nossa situação como um grupo de rock progressivo que está no Brasil tocando música própria há tantos anos.  Também, em tese, nossa trajetória musical  poderia ter sido melhor se estivéssemos em qualquer outro pais que valoriza e apoia seus compositores e intérpretes que possuem uma inserção internacional dentro do estilo a que se propõe. Nos anos 1980 o Apocalypse realizou shows apenas na Serra Gaúcha e em Porto Alegre. Vencemos os festivais que participamos, tocamos com bandas consagradas, gravamos o primeiro LP e ganhamos divulgação e prestígio do público e da crítica local. Mas nada disso foi irradiado para outros Estados do Brasil. Naquele tempo não existia internet e outras facilidades. Um fato curioso é que as composições do Apocalypse literalmente saltaram  por cima do restante do Brasil e foram cair lá na França. Somente após o lançamento do primeiro CD pela gravadora européia é que começamos a trilhar um novo caminho fora do Rio Grande do Sul.  Vimos que a música que fazíamos agradava e era diferente das outras bandas nacionais. Mas nossa posição geográfica em relação ao imenso país verde-amarelo realmente não ajudava a divulgação no eixo Rio-São Paulo. Além disso, de certa forma, começamos a enfrentar um outro problema com relação à divulgação da nossa música no restante do Brasil: nossos 3 primeiros CDs foram lançados apenas na Europa. Ou seja, precisavam ser importados para o Brasil. E o CD importado era e continua sendo caro para a população. Nosso primeiro CD nacional só foi lançado pela gravadora paulista Atração em 1998. Mesmo assim a gravadora não investiu em divulgação e o Apocalypse continuou mais conhecido no circuito do rock progressivo mundial do que no circuito brasileiro. Outro fator é a falta de educação artística da maioria dos brasileiros. A apreciação musical é praticamente nula na população que costuma ligar a FM e ouvir as paradas de sucesso escolhidas com o jabá das gravadoras. O que mais tocar na rádio é o que está na moda para ser explorado pela mídia e divulgado como “boa música”. O restante é excluído ou é música “diferente que não é tão legal”. Os critérios musicais de qualidade na verdade são irrelevantes na maioria das produções comerciais. O que vale para a indústria fonográfica é o “produto musical” que vende mais porque tem um refrão ou um apelo comercial. Os valores foram invertidos para as pessoas se acostumarem a gostar do que a mídia acha que elas devem gostar.  A população não ouve as grandes obras sinfônicas, não costuma ir a concertos, raramente ouve música instrumental e nem conhece os grandes músicos de seu país. O que dizer do rock progressivo que reúne elementos do jazz, rock, folclore, e sinfônico? Tomara que possamos conseguir cada vez mais recursos para possibilitar apresentar nossa música a mais brasileiros que estão sedentos por grupos como o Apocalypse que coloca em primeiro lugar a música.

 

capa perto do amanhecer
Perto do Amanhecer (1995)

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11. Por que não “encarar” o público europeu como um trio? Por que passaram a ser um quarteto se afinal o trio vinha dando certo?

Porque depois de três anos tocando em trio sentimos a falta da guitarra no som da banda. Então convidamos meu irmão Ruy Fritsch para voltar e ajudar a fazer o CD Perto do Amanhecer que foi nosso primeiro álbum lançado na Europa.

Ruy

Ruy Fritsch (2009)

 

12. Aurora dos sonhos e Lendas Encantadas... fale mais sobre estes dois CDs.

O Aurora dos Sonhos é um dos meus álbuns prediletos do Apocalypse porque traz composições como A Um Passo da Eternidade, Vindo das Estrelas e Do Outro Lado da Vida. É o CD mais progressivo de todos que já fizemos. São músicas com temas profundos que fazem a gente refletir sobre nossa existência no mundo, nesta dimensão e o que existe no espaço infinito e que está além da compreensão humana. Em 1995 lançamos o CD Perto do Amanhecer e a responsabilidade em manter a qualidade e ser criativos em um novo álbum era fundamental. O Aurora dos Sonhos agradou quem já tinha ouvido gravações anteriores do Apocalypse e conseguimos adicionar mais “tempero” e fazer composições ainda mais trabalhadas. No ano em que estávamos gravando este álbum em Porto Alegre recebemos o convite para participar da coletânea Lê Melleur du Progressif Instrumental que seria lançada na Europa e isso foi um incentivo para finalizarmos o novo disco e cumprir nosso contrato com a MUSEA. O disco é místico do início ao fim incluindo o maravilhoso encarte e os músicos em uma paisagem fantástica. Já o Lendas Encantadas traz regravações do LP com inclusão da guitarra e novas composições. Particularmente gosto mais do Aurora dos Sonhos.

 

capa CD Aurora

CD Aurora dos Sonhos (1996)

  

13.  “Levando a vida”, de 12 minutos, virou uma música de trabalho para as rádios locais. Fale mais sobre a relação Apocalypse x rádios.

Eu diria que praticamente não existe relação com as rádios. A Levando a Vida pouco tocou nas rádios. Na época um produtor de Porto Alegre que ia promover a música nas rádios ficou com o nosso dinheiro e nos passou para trás. Não fez nada para promover o Apocalypse e a música Levando a Vida. Ficamos muito frustrados e decepcionados com a situação e isso acarretou outros problemas para a banda. Atualmente nossa música toca nas rádios da internet.

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14. Em 1997, realiza-se o 1º Festival de Rock Progressivo com as bandas Apocalypse, Grandbell e Cinema Show. Como foi? Como a TVE entrou nesse evento? Há registro deste festival em DVD?

O Apocalypse produziu junto com a Prefeitura de Porto Alegre esse primeiro festival de rock progressivo no Rio Grande do Sul. A TVE foi convidada para televisionar e foi um grande sucesso com cerca de 1500 pessoas que foram até o auditório Araújo Vianna para assistir a cena progressiva gaúcha dos anos 1990.  Existe registro  sim porque passou um trecho de cada apresentação na TVE .

Apocalypse em 1997

Imagem da apresentação do Apocalypse no festival 30 anos de Rock Progressivo (1997)

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15. Planeta Atlântida, 1998... como foi dividir o palco com gigantes da música nacional? Eles se interessaram pelo Apocalypse?

Foi bem legal porque a infra-estrutura foi muito boa. Imagina você, fazer rock progressivo em um festival de música pop! Tocamos parte do repertório que depois foi apresentado nos USA incluindo os clássicos na versão rock.

Apocalypse em 1998

Apocalypse – Planeta Atlântida (1998)

 

 

16. Ainda em 1998 veio o Rio Art Rock Festival, vocês lembram? Quem esteve lá sabe das dificuldades que ocorreram. Como foi este festival? Vocês se sentiam estrangeiros dentro do próprio país?

Gostamos de ter ido ao Rio tocar nossas músicas. O Teatro João Caetano é muito legal e ainda foi possível aproveitar um pouco da cidade maravilhosa e tocar em Macaé. Fizemos muitos amigos por lá.

Apocalypse no Corcovado (Rio de Janeiro - RJ)

Apocalypse – Rio de Janeiro (1998)

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17. ProgDay 1999. Como foi ir para a América? Compare a organização de lá com a do Brasil.

O festival de lá foi muito bom. A organização e a infra-estrutura era de primeiro mundo mesmo. Viajamos sem os instrumentos e a organização forneceu o que precisávamos. O convite para tocar nos Estados Unidos foi um reflexo da divulgação internacional que a gravadora MUSEA realizou durante anos. Acho que o Apocalypse começou a aparecer mesmo para o Brasil quando lançou o CD duplo ao vivo gravado nos USA. Já que foi o primeiro CD de rock progressivo de uma banda brasileira gravado na terra dos norte-americanos, acabou tornando-se um símbolo da qualidade do progressivo nacional e um dos melhores trabalhos da antiga formação do Apocalypse. Nossa música já nos levou para muitos lugares e está sendo divulgada pelo mundo inteiro. É isso que nos motiva a continuar no caminho que estamos com a certeza de que vale mais a pena interpretar a própria música e acreditar na energia transmitida para  as pessoas, do que fazer concessões que irão interferir na identidade e qualidade musical que zelamos ao longo de todos esses anos.

Apocalypse no ProgDay

Apocalypse – Progday99

 

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18. Para você Eloy, como foi sair como destaque na Keyboard Magazine?

Na época deu o que falar. Depois que sai na Keyboard todas as revistas brasileiras de teclado e tecnologia me procuraram para entrevistas e muita gente queria ouvir o que eu fazia.

 

Eloy estudio

Eloy Fritsch em seu estúdio particular (2001)

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19. O Apocalypse, entre outros pioneirismos, foi o primeiro grupo de rock progressivo brasileiro a lançar um CD duplo ao vivo! Conte-nos mais sobre isso.

O Apocalypse sempre gostou de desafios. Acreditamos na nossa música e gostamos muito do que fazemos. Então isso nos motiva a buscar alternativas para criar e promover nossa arte.  O show dos USA foi gravado pelos americanos e a qualidade das fitas ficou tão boa que resolvemos lançar o CD duplo incluindo também um CD-ROM com vídeo clip da música Jamais Retornarei, produzido pelo meu irmão Ruy Fritsch.

 

Live in USA

Apocalypse Live in USA 2CDs/CD-ROM – lançado em 2000 pela gravadora Rock Symphony

 

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20.  2003 foi o ano de “Refúgio”. Do que vocês estavam fugindo e/ou se protegendo? Vocês falam de “problemas externos” no livro…

Sim, o CD foi o refúgio para as nossas novas composições na linha do rock progressivo. Foi um tempo de dificuldades e conseguimos fazer o CD mesmo morando em cidades diferentes e com pouco tempo para gravar. O álbum Refúgio recebeu boas críticas das principais revistas especializadas em rock progressivo. O que percebemos é que o som desse álbum ficou um pouco mais virtuoso e instrumental que os demais. Ele marca a última fase da banda cantando em português. O álbum traz composições baseadas em teclados como Refúgio, Cachoeira das Águas Douradas, Viagem no Tempo, Liberdade, América do Sul que ainda estão no repertório de shows da Apocalypse. Essas músicas foram adaptadas para o inglês, ganharam uma nova versão na voz do Gustavo Demarchi e serão relançadas nos próximos álbuns da Apocalypse. Eu penso que o Apocalypse possui alguns épicos. O álbum Refúgio presenteou o público com uma dessas composições que considero especial que é a Cachoeira das Águas Douradas. Eu vejo que todas as composições possuem elementos que diferem uma das outras e isso agrada muito as pessoas que ouvem. Amazônia, por exemplo, é uma composição mais sinfônica, enquanto que a música ProgJazz possui influências do jazz. Mas como o álbum não é formado somente por músicas inéditas, foi possível o público conferir versões de estúdio para as músicas que haviam sido gravadas anteriormente no álbum duplo Apocalypse Live in USA. Considero que nesse CD realizei meu melhor trabalho com teclados na linha do rock progressivo até então. Apesar do teclado estar presente em todas as composições e prevalecer na maioria das linhas melódicas, a variação de timbres e técnicas utilizadas, da maneira mais criativa que consegui, agradou aos fãs da banda. Esse CD também é marcado pelo incremento na utilização de backing vocals, um ponto que considero positivo numa banda como a Apocalypse que tem como principais influências o Yes, Genesis, Kansas, bandas que exploraram muito bem arranjos vocais.

 

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21.  Às vezes precisamos perder para ganhar, não é? Foi assim com o Chico (para entrar Gustavo e Magoo)? Vocês consideram o timing perfeito?

Com a entrada do Gustavo foi possível criar composições mais roqueiras e buscar novos caminhos para o som do Apocalypse. O som da banda ficou mais próximo de grupos como Kansas, Journey e  Rainbow mas sem perder o lado progressivo. Foi uma mudança necessária para oxigenar o som da banda e promover mais apresentações. Esta formação de quinteto é marcada pela maior quantidade de shows, tanto que gravamos 3 álbuns ao vivo: DVD Live in Rio, CD Magic Spells e o The Bridge of Light, esse último apenas com músicas inéditas.

 

Gustavo

Gustavo Demarchi e a máscara - marca registrada nos

Concertos de Rock Progressivo do Apocalypse.

 

 

22.  Novamente o Rio de Janeiro, e agora um DVD! Como foi?

    Foi um convite do nosso amigo Leonardo Nahoum para abrir o festival Rock Symphony for the Record, um evento que reunia a cena progressiva brasileira. Gostaram tanto do nosso show que o DVD que gravamos foi o primeiro a ser lançado. Nesse show tocamos  inclusive um medley de composições do Apocalypse com direito a um solo de cada integrante.  Colocamos muita energia nessa performance e as músicas ficaram com muita “pegada”. Foi uma fase muito boa para o Apocalypse porque as atenções se voltaram totalmente para o projeto do DVD.  Além de ensaiar e se dedicar muito ao repertório do show utilizamos os melhores instrumentos possíveis, ótimos  amplificadores e microfones. Mas para uma boa qualidade sonora é óbvio que não basta realizar apenas uma boa gravação. O mais importante é a qualidade da composição, do arranjo instrumental/ vocal e a precisão na execução. Utilizando técnica e bastante ensaio conseguimos um bom resultado. Todas as composições foram arranjadas para que os instrumentos fossem claramente escutados em suas partes de acompanhamento, harmonia e solo. Os músicos estão de parabéns. O Gustavo já cantava muito bem, mas ficou ainda melhor depois que entrou no Apocalypse. Seu desempenho deu um salto qualitativo e o resultado está no DVD. A parte vocal é dificílima porque exige muito alcance e sustentação da voz. Ele cantou todo o show intensamente com muito talento. Acho que todos os fatores somados colaboraram muito para o resultado final e valorizaram ainda mais este registro histórico para o Apocalypse. 

 

Eloy e Ruy
Eloy e Ruy Fritsch (2005) com o cartaz do Festival Rock Symphony for the Record ao fundo.

 

 

     Depois dessa gravação em 2005, só retornamos ao Rio em 2006 para tocar com o Uriah Heep no Canecão e não tivemos mais contato com a produção do DVD. Depois de tudo mixado e editado a prévia foi enviada a Porto Alegre e fizemos uma série de sugestões. Várias foram acatadas e efetuadas. Gostamos muito que a Rock Symphony se preocupou em colocar informações do Apocalypse e extras no DVD. Principalmente a parte em que é possível ouvir uma faixa de cada um dos nossos CDs. Comento isso porque o Apocalypse tem CDs lançados só na Europa. Com esse extra é possível ouvir composições que nunca foram executadas no Brasil e escutar a música original gravada nos anos 1990. O Apocalypse, desde as primeiras composições nos anos 1980, preocupou-se em escrever letras de alertam, mas que, ao mesmo tempo, apresentam  um futuro cheio de vida e felicidade  para a raça humana. Não anunciamos o fim do mundo, muito pelo contrário. Acreditamos que é possível viver em paz no nosso Planeta, sem guerra e sem destruição. A capa do CD e do DVD complementa a letra e está em sintonia com a mensagem contida em composições como “Blue Earth” e “Cut”. Notem que vários detalhes podem ser percebidos se a capa for analisada com cuidado. Colocando o CD ao lado do DVD percebemos que a arte não é exatamente igual. Reparem que interessante! No CD, as crianças estão à esquerda da cabeça, e no DVD, à direita. Percebam que esta diferença sugere movimento. As crianças estão tentando fugir da gigantesca cabeça (criada pelo Sazses a partir da máscara usada pelo vocalista Gustavo Demarchi na música Cut) e representa o desconhecido, o inusitado, o incompreensível, o incerto! As luminárias acesas contrastam com o cenário cinzento e representam a esperança, a luz que não se apaga no coração das pessoas que acreditam em um futuro melhor.  As crianças tentam fugir de um mundo que para nós parece fantasia, mas que para elas é o futuro incerto. A arte do Gustavo  Sazses vem de encontro com a preocupação crescente em preservar nossa Terra Azul, sugerindo uma profunda reflexão sobre o que cada um de nós está fazendo para cuidar melhor do  Planeta Terra, nossa Terra Azul.

 

capa DVDcapa CD
CD e DVD Apocalypse Live in Rio gravados em 2005

 

 

23.  Vocês falam muito em “repaginar a história”… vocês se consideram vitoriosos nisso?

Acho que as mudanças são bem vindas quando a arte que fazemos é beneficiada de alguma maneira. Infelizmente fazer progressivo no Brasil é para poucos em função da discriminação e do preconceito. Acho que nesse caso vencemos várias etapas e se hoje em dia nossa música é tocada por orquestra e temos um Box Set de 25 anos é porque plantamos muito em nossa caminhada.  

Apocalypse em 2006

Apocalypse – Tearo Bar Opinião – Porto Alegre (2006)

24.  Como foi tocar em Macaé?

Foi ótimo! O pessoal é muito atencioso e carinhoso. Temos certeza que conseguimos corresponder com algumas de nossas melhores apresentações. Somos muito gratos aos nossos amigos de Macaé!

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25.  Esta nova fase tem bandas de hard rock progressivo como influências básicas (Uriah Heep, Nektar, entre outros). Abrir para eles foi o que faltava para solidificar a transição do rock progressivo sinfônico para um classic/hard rock progressivo de fato?

Eles com certeza nos influenciam. Abrimos também para Joe Lynn Turner em Porto Alegre. Mas já tínhamos influência de todos esses grupos de AOR e hard rock  desde o início do Apocalypse . Acho que tem espaço para muita coisa ainda no som que vamos fazer. Nós temos tantas composições que a diversidade de estilos e influências acabou crescendo. Então é natural que possamos selecionar diferentes repertórios para shows indo do sinfônico até o hard rock.

 

Apocalypse e Uriah Heep

Apocalypse e Uriah Heep no Canecão (2006)

 

26. The Bridge of Light tem a suíte conceitual de mesmo nome. Fale-nos mais sobre este trabalho. Porque mudaram para o idioma inglês?

 

Depois de tocar nos USA e gravar vários CDs cantando em português percebemos a necessidade de trocar o idioma para ampliar nossa inclusão na cena internacional. Com a entrada do Gustavo Demarchi na banda conseguimos realizar esse projeto.

 

banner

Banner promocional do lançamento do CD The Bridge of Light – Arte: Robson Piccin

 

27.  Como foi este show de 2006? É uma ópera-rock? E o que aconteceu com o registro do show?

Foi um concerto de rock dividido em duas partes. A primeira parte é formada por composições individuais e a segunda parte uma suíte. A Suíte consiste em uma estória escrita pelo Gustavo Demarchi (vocal e flauta) que liga as demais composições do segundo Ato do álbum. Tudo  começa com um solo de violino do Hique Gomez (Tangos e Tragédias) seguido do solo de guitarra do Ruy Fritsch para o despertador acordar o Jimmi, que é o personagem principal, e dar início à música To Madeleine (nome da mãe do Jimmi). A letra das músicas conta a estória e temos na seqüência  Escape e Welcome Outside. O Z-14 é a calculadora de bolso do Jimmi e quase todos os elementos dessa estória possuem um sentido figurado e que permite diferentes interpretações por parte do ouvinte. No segundo Ato temos músicas no estilo AOR com pitadas de neo-progressivo. Eu gosto muito da música Follow the Bridge porque ali incorporamos elementos do Rock Sinfônico que é um dos meus estilos preferidos. A Mr. Earthcrubs é uma música diferente de tudo que o Apocalypse fez até hoje e traz referências ao hard rock principalmente em função das influências musicais do Magoo (Baixo)  e do Gustavo. Com solos de violino, moog, flauta e um bonito riff a música tem sua identidade própria. A suíte finaliza com a balada Not Like You novamente com a participação do violino e o Ruy Fritsch criando um arranjo mais acústico ao violão. Vale lembrar que nos intervalos das músicas temos a narração da estória do Jimmi realizada pelo Hique Gomez, mas que estará só no DVD por problemas de espaço da mídia. Entretanto toda a estória, assim como as letras das músicas,  está no livreto que acompanha o CD criado pelo Robson Piccin que contém belas ilustrações e fotos do show. É uma produção de alto custo e precisamos fazer ela aos poucos devido aos demais compromissos que apareceram ao longo desses anos. Inicialmente foi lançado o CD. Depois lançamos alguns vídeos do concerto: a música Not like You foi lançada em um videoclip na internet e as músicas Last Paradise e Ocean Soul foram lançadas no DVD do Box Set de 25 anos. Acreditamos que em 2012 possamos lançar o DVD The Bridge of Light porque as edições do vídeo estão no final.

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28.  Vocês lamentam não ter tocado no ROSFEST (Rites of Spring Festival) e no BajaProg?

Lamentamos sim.  Mas o dólar subiu muito naquela época e os festivais não ofereciam nem as passagens aéreas para todos os músicos do quinteto. Não conseguirmos apoio do governo brasileiro e, portanto, como as condições não eram suficientes,  não foi possível viajar para esses eventos. No caso do Rosfest tocaríamos na mesma noite do Nektar. O Apocalypse seria a primeira banda brasileira a tocar neste festival o que teria sido uma honra para nós músicos.

 

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29.  Que nova fase é esta com o novo baterista Fábio?

É a fase do álbum 2012 Light Years from Home em diante e do Concerto com a Orquestra e Coral. O Fábio Schneider é nosso amigo de infância e colega de colégio do Ruy Fritsch.  Temos uma grande amizade por ele e ele sempre gostou muito do Apocalypse. Já fizemos vários shows com o Fábio nesses dois anos que ele está na banda. Com a saída do Magoo, o Rafael Schmitt assumiu o baixo do Apocalypse em 2011.

Apocalypse 2011

Apocalypse (2011) – da esquerda para a direita: Ruy fritsch, Gustavo Demarchi, Fábio Schneider, Eloy Fritsch e Rafael Schmitt.

 

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30.  25 anos de idade! Como não podia deixar de ser, o Apocalypse é a primeira banda de rock progressivo brasileira a lançar uma caixa (DVD, CD ao vivo, CD inédito e um livro). Fale mais sobre ela. Este DVD não tem nenhum registro do show de 2006, certo?

Tem sim, a música Last Paradise e Ocean Soul são de 2006. Na verdade, neste DVD temos três momentos: o Concerto dos 25 anos realizado no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2009, duas músicas do Concerto The Bridge of Light de 2006 e a música Waterfall of Golden Waters do DVD Live in Rio de 2005. O Box Set é financiado em parte pela projeto Financiarte de apoio à cultura da cidade de Caxias do Sul. Mas precisamos investir muito porque o projeto só cobriu parte dos gastos. Passamos dois anos trabalhando neste grande projeto. Ficamos muito felizes com o resultado porque mostra parte da nossa produção nos últimos anos e ainda traz um livro que conta resumidamente a história do Apocalypse. Recentemente fizemos o lançamento do Box Set em dois shows. Um na III Semana da Música na cidade de Bento Gonçalves na Serra Gaúcha e outro na 57ª. Feira do Livro de Porto Alegre.

caixa 25 anos

Box Set de 25 anos do Apocalypse (2011)

31.  O CD novo 2012 Light Years from Home – dentre todos os CDs desta nova fase – me pareceu o mais sólido, maduro e preciso em termos de arranjos, harmonias e letras (a última música na minha opinião um primor, uma obra-prima que mostra a importância de grupos como Triumvirat e ELP para vocês). Fale mais sobre as dificuldades para lançar este trabalho.

Foi um álbum bem complicado de produzir porque foi feito durante a mudança de formação do Apocalypse. Foi preciso superar vários problemas de relacionamentos internos dos integrantes e tentar motivar o pessoal que permaneceu na banda para este novo projeto. Enquanto eu fazia as composições os integrantes do Apocalypse estavam saindo da banda. A música 2012 Light Years from Home levou dois anos para ser concluída porque uma coisa é você compor, outra é você ensaiar e preparar a interpretação de uma composição mais complexa. Outra dificuldade e preocupação constante é que o projeto de Lei de Incentivo à Cultura tinha um prazo para ser encerrado. Então esse álbum 2012 foi um desafio muito grande em vários sentidos.  

CD 2011

Capa do álbum 2012 Light Years from Home (2011)

Apocalypse 2012

Formação do Apocalypse que gravou o CD 2012 Light Years from Home – da esquerda para a direita:
Gustavo Demarchi – vocal, flauta e violão, Eloy Fritsch – teclados, baixo e vocais, Ruy Fritsch – guitarra e Fábio Schneider - bateria

 

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32.  Magic Spells, o CD ao vivo da caixa, foi gravado em 2005. Como foi o trabalho para chegar até ele?

Estávamos fazendo uma série de shows no Rio Grande do Sul no ano de 2005 e resolvemos registrar a performance para futuramente aproveitar em um CD ao vivo. Fechamos com a Mylodon Records para lançar o álbum na época, mas a gravadora teve problemas e não pode mais fazer o lançamento. Então guardamos o material e quando surgiu a oportunidade de produzir o Box Set incluímos esse trabalho.

Magic Spells

CD Magic Spells (2010)

 

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33.  Vocês, em setembro de 2011, tocaram com uma orquestra! Como foi arranjar as músicas para algo tão complexo e como foi que o Apocalypse conseguiu chegar a um acordo para reunir banda e orquestra? Quantos músicos subiram ao palco? Vai haver um lancamento deste show em DVD?

Foi um projeto magnífico. Acho que foi um dos pontos mais legais de toda a história do Apocalypse. Como nosso estilo musical principal é o rock progressivo sinfônico então os arranjos para orquestra e coral “caíram como uma luva”. Foram encomendados arranjos pelo maestro Gilberto Salvagni que que também escreveu o arranjo para a música Last Paradise. O projeto levou quase um ano para ser preparado e executado. Uma grande produção caríssima e que envolveu uma enorme quantidade de pessoas interessadas em realizar o primeiro concerto de rock progressivo nacional com banda de rock, orquestra e coral. Já tivemos outros grupos tocando com orquestra mas não com orquestra e coral. E o mais comum é realizarem concertos com “clássicos do rock”. Mas concertos em que o repertório seja dedicado a um grupo de rock progressivo no Brasil é algo raríssimo! No primeiro ensaio o maestro chegou para a gente e comentou que se conseguíssemos tocar 3 músicas do repertório naquele primeiro encontro seria ótimo. Mas a sintonia e a vontade de tocar aquelas músicas com orquestra foi tão grande que conseguimos ensaiar todas as músicas naquele dia. Como compositor foi algo mágico e que ficará marcado para sempre na minha memória. Um sonho antigo realizado. Era um projeto complexo porque envolvia muitas variáveis. Mais de 80 músicos subiram ao palco para tocar  e cantar nossas músicas. Os ingressos esgotaram 5 dias antes da apresentação e muita gente não conseguiu entrar no maior teatro de Caxias do Sul para assistir. Acho que em 2012 o concerto será realizado novamente devido ao sucesso. Pelo menos nós gostaríamos de refazer já que foi uma das melhores apresentações que já fizemos.

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34.  Nesses 25 anos vocês falam que apesar da pressão o grupo não realizou concessões. Aprofundem mais o tema. Mudar do sinfônico para o hard rock progressivo não foi uma concessão?

A concessão citada no livro escrito pelo Eliton Tomasi contando a história do Apocalypse é com relação às imposições provindas de gravadoras, produtores e modismos que não acrescentam nada artisticamente por serem concessões que visam o lado comercial. Eu, particularmente, enfrentei muito preconceito e discriminação de produtores, gravadoras, bares e a imprensa. Primeiro porque sou um artista que toca a música que gosta e depois porque toco progressivo. Os produtores queriam que o Apocalypse tocasse cover para conseguir mais shows, ou então as gravadoras queriam que a gente mudasse o estilo da banda porque progressivo já era. Não fizemos nada disso porque acreditamos na identidade da nossa música e no trabalho autoral, afinal de contas compomos e interpretamos nossas músicas. As pessoas esquecem que para você ter uma produção nacional, independente do estilo musical, é necessário apoiar compositores e músicos que se dedicam a produzir a música nacional, mesmo que ela seja rock progressivo cantada em inglês. Os donos de bares estão interessados em vender cerveja, as rádios e TVs comerciais em vender espaço publicitário, nós estamos interessados em compor e tocar nossa música. Não fazemos pelo dinheiro, fazemos por vocação e por paixão. Então não existe uma sintonia entre nossa proposta musical e esse pessoal que escolheu priorizar seu negócio comercial. Para aprofundar o assunto eu diria que existe espaço para todos os estilos, entretanto os caminhos para o progressivo são obscuros no Brasil. Eu venho dizendo isso a anos, a banda que melhor representa o progressivo brasileiro é o Sagrado Coração da Terra, pena que acabou! Eles possuem um equilíbrio muito bom entre canções e sinfonias progressivas. Usam bem os temas folclóricos brasileiros juntamente com os elementos da música barroca. Um equilíbrio entre o feeling e o virtuosismo. Uma banda maravilhosa que precisava ainda mais divulgação no seu próprio país para manter o projeto ativo.  Eu vejo que existe uma redescoberta do progressivo pela novas gerações. Em parte por causa da evolução do Heavy Metal para o ProgMetal. Isso levou o público que apreciava metal a descobrir outros caminhos na música. Por outro lado, o termo “progressivo” reúne sob o mesmo guarda-chuva um grupo muito grande de bandas com estilos totalmente diferentes. Assim, alguns podem gostar do álbum The Dark Side of the Moon do Pink Floyd e não gostar do Tarkus do ELP porque são totalmente diferentes. Essa relação ímpar entre as bandas progressivas é uma riqueza raramente encontrada em outros estilos musicais. Isso é muito bom porque é possível encontrar, dentro de um mesmo estilo, diferentes pensamentos e vertentes composicionais. A flexibilidade e sofisticação musical são vitais para que boas composições progressivas sobrevivam ao tempo e, no futuro, se tornem clássicos. No Brasil as bandas de progressivo não duram muito, com exceção da Apocalypse, todas as outras bandas brasileiras de progressivo da década de oitenta tiveram suas carreiras interrompidas ou acabaram. Daqui a dois anos faremos 30 anos de banda e esperamos chegar até lá mantendo a qualidade musical que adquirimos ao longo da nossa carreira. As pessoas podem desenvolver a capacidade de apreciação musical e evoluir com o tempo para descobrir novos estilos mais sofisticados. Mas para isso precisam ter acesso ao conhecimento. Não falo aqui em gosto musical, mas sim em ter acesso à música enquanto arte. As pessoas deveriam ter a chance de estudar música na escola para depois poder realmente desenvolver uma compreensão do que realmente é a música. Assim, a capacidade crítica das pessoas aumentaria e a chance de saber diferenciar uma boa composição de um produto enlatado, lançado na mídia, feito apenas para vender, seria maior. Isso ajudaria muito as bandas de rock progressivo nacionais como o Sagrado Coração da Terra, O Terço e o Apocalypse.

 

Eloy em 2001

Eloy Fritsch – Show de lançamento do CD Live in USA no Salão de Atos da UFRGS (2001)

 

 

35.  Por fim, uma mensagem para os usuários da Rock Progressivo Brasil.

Agradecemos o apoio de todos para continuar nosso projeto de rock progressivo. Visitem nosso site www.apocalypseband.com, ouçam nossa música no myspace www.myspace.com/apocalypsebr, em nossos CDs, procurem pelo Box Set de 25 anos do Apocalypse e assistam nossos vídeos de rock progressivo com a orquestra e coral no youtube. Esperamos encontrar vocês nos próximos shows do Apocalypse.  Um ótimo final de ano para todos e que 2012 seja um período de felicidade e paz para todos.